CFO x Head de Inovação na transformação digital: como equilibrar futuro e presente

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Há formas de fazer finanças e inovação colaborarem em harmonia em torno de objetivos comuns das organizações. Neste breve bate papo promovido pela Orange Business Services com executivos de ambas as áreas encontramos divergências e similaridades na atuação de cada um.

Inovação é um gasto impossível de planejar, verdadeiro pesadelo para gestores financeiros que querem sempre cortar custos, colocando no cotidiano das organizações CFOs e heads de inovação em rota de colisão. Essa batalha corporativa imaginada pelo senso comum, no entanto, tem mais de mito que de verdade, e há formas de ambos os executivos não só colaborarem em harmonia, mas também alcançarem objetivos comuns - o que é crucial diante do cenário de transformação digital.

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É o que revela este bate-papo promovido pela Orange Business Services: a aparente dicotomia entre a atividade de inovar – que costuma exigir certa liberdade e capacidade de tentativa e erro – e o pagamento da conta tem mais sinergia do que competição.

Foram entrevistados Vanessa Retek Ferreira, atualmente diretora comercial, de marketing e de Inteligência de Mercado da Scaffold Education, com experiência como líder de inovação da Paschoalotto por 5 anos e com passagem pelo Itaú Unibanco, onde ficou por nove anos.
João Paulo Colombo, CFO da Cervejaria Campinas, que acumula mais de 40 anos de experiência em departamentos financeiros, tendo liderado a área na J. Fonseca Construtora, IT Mídia e Globo Cochrane, entre outras organizações.

Orange Business Services: Qual a principal responsabilidade de seu departamento para os negócios da empresa?

Vanessa Retek Ferreira: A responsabilidade da inovação não é específica do time de inovação. A oportunidade está em todo processo. São dois motores: o que mantém o faturamento e o retorno esperado do modelo tradicional, e aquele que olha para o próprio negócio para que ele se reinvente. A inovação está em ambos.

João Paulo Colombo: A definição de todos os investimentos e recursos destinados aos recursos tecnológicos, humanos e equipamentos de forma geral.

Orange Business Services: Como é a relação da sua área com a de finanças/inovação?

Vanessa: As empresas brasileiras estão passando agora pela transformação digital, então é uma relação em que o ponto de equilíbrio ainda não chegou. As empresas olham de modo geral o retorno sobre o investimento do todo e ainda falta esse casamento. A inovação tenta mitigar riscos para que o financeiro tenha a visão de que eles estão controlados.

João Paulo: Eu diria que é bem próxima. Como o negócio exige muitas atualizações, invenção, criatividade, fico bem próximo do pessoal [de inovação]. Eles estão muito relacionados com a área de marketing também, que fica abaixo da diretoria comercial. Gosto de participar [do trabalho] da área de inovação.

Orange Business Services: Como a área de inovação e seus projetos devem ser estruturados para que não haja desequilíbrio financeiro?

Vanessa: Mitigando riscos. Olhando até que ponto pode ir e qual a elasticidade do investimento. Achando um ponto de equilíbrio entre o tempo de investimento e agilidade para experimentar o mercado. É preciso ter um plano de ação para acordar com todo o conselho, não só o financeiro, em que momento se vai esperar o retorno [dos investimentos].

João Paulo: Acredito que as duas áreas devem estar muito conectadas. A área financeira, que libera os recursos, tem que entender o projeto e acreditar nele. E nas pessoas também. E na viabilidade. A partir do momento em que se tem argumentos fortes e pessoas competentes fazendo, [o projeto] vai adquirindo a devida credibilidade. Por outro lado, o pessoal [de inovação] precisa entender que o projeto tem um custo para a companhia, principalmente no momento econômico em que o país está. O investimento precisa ser alongado, bem planejado, dentro da capacidade da empresa.

Orange Business Services: Como sua área deve ser conduzida para que a pressão não comprometa os projetos?

Vanessa: Estamos no país da sobrevivência. Tudo precisa ser bem calculado. A empresa precisa estar muito bem organizada pois há um elemento de imprevisibilidade [na inovação]. É preciso definir uma quantia e ter reservas. Reservar um budget e, à medida que os projetos forem acontecendo, ter esse olhar de quanto cada frente precisa acelerar.

João Paulo: O primeiro ponto é estar próximo e ter bom relacionamento. É importante fazer as perguntas corretas para que elas [pessoas dos times de inovação] sejam convencidas de que de 10 a 15 ideias, às vezes uma ou duas serão aproveitadas sob o propósito da viabilidade econômica. Assim elas mesmas vão controlando a ansiedade. E o financeiro tem que entender muito bem a adrenalina e a ansiedade das criações. A confiança ajuda muito no controle das pressões. É importante ambos os times se respeitem e confiem um no outro.

Orange Business Services: Qual a maior lição que você já aprendeu com um executivo de finanças/inovação?

Vanessa: Faz parte do do meu DNA aprender com a área de finanças. A inovação precisa ter a liberdade da criação - não pode ser cerceada pelo financeiro. Em contrapartida, como a inovação é estruturada por um propósito, ela gera, automaticamente, a sustentabilidade do negócio. A maior lição é que os extremos não são excludentes, são complementares.

João Paulo: Um líder não cria seguidores, cria novos líderes. Administrar gente é o grande aprendizado na minha carreira de praticamente 44 anos. Conhecer pessoas, estar próximo das pessoas, é o grande aprendizado. Conviver com elas, discutir assuntos de fora do ambiente de trabalho, fazer mapeamento dos problemas. Este é o grande aprendizado dos meus últimos 40 anos como executivo.

Orange Business Services: Como integrar melhor as duas áreas e qual o papel dos líderes nesse desafiados cenário desafiador da transformação digital?

Vanessa: Acho que depende muito do modelo mental da empresa, não só das duas áreas. O financeiro sempre vai olhar o retorno, mas também precisa entender como funciona a inovação, porque a mudança de modelo mental é para todos. E ele também precisa pensar dessa forma, porque pode ser que o retorno de um novo produto demore a vir. Se ele conhece tudo que está sendo preparado, o atrito diminui. Tem que estar tudo bem azeitado.

João Paulo: Acho que demora para aprender. Mas tem duas coisas muito importantes: simplicidade e humildade. Fazer um trabalho de humildade e usar o poder para desenvolver outras pessoas, se colocando no papel deles, acaba com esses problemas. E é muito difícil. Entender é fácil, mas absorver só com muita experiência.

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