A simplicidade da inovação sob o olhar da Forbes Under 30 Lívia Cunha

Fundadora da startup CUCO Health tem 27 anos e já figura entre uma das principais líderes a puxar a disrupção no tradicional setor de Saúde

Desde menina, Lívia Cunha acompanhou de perto o trabalho do pai, que é médico e fundador de clínicas e hospitais em Florianópolis (SC). Conforme crescia, percebeu que as necessidades dos pacientes não começam e nem terminam durante a consulta – eles precisam de ajuda para aderir e concluir tratamentos, ponto crítico para a eficiência do sistema de saúde como um todo. E por que não se valer de tecnologia e inovação para atingir este objetivo?

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É o que a empreendedora catarinense de 27 anos busca fazer desde 2015, quando fundou a CUCO Health – empresa cujo principal produto é um aplicativo móvel que promete engajar os pacientes e cuidadores nos tratamentos. O objetivo da empresa é mudar a forma como as terapêuticas são feitas, principalmente no Brasil, tornando-as mais convenientes.

Lívia Cunha

Sob a liderança de Lívia, a CUCO Health recebeu mais de 15 prêmios de inovação e empreendedorismo. Em janeiro, a empreendedora foi reconhecida pela revista Forbes, que a incluiu na lista Under 30 - que relaciona os jovens que estão se destacando nos setores em que atuam.

 

Em conversa exclusiva com o Blog da Orange Business Services, a CEO conta a história de sua startup - trajetória que muito se mescla com a de seu próprio desenvolvimento como uma das líderes na transformação de um setor tão tradicional.

Necessidades sistêmicas

“Acho que a Saúde está atrasada na transformação digital. Os problemas são globais, replicáveis em muitos lugares, exigem escala para serem resolvidos. E a única forma de escalar é usando tecnologia. Em breve a tecnologia vai ser commodity, o jeito natural das pessoas fazerem as coisas. Vivemos uma época em que a tecnologia está mais acessível, mas ao mesmo tempo isso envolve risco. Digitalizar é assumir riscos, e no ambiente de saúde, que é avesso a risco, é desafiador. Mas é um fato: a tecnologia resolve dois grandes dilemas sistêmicos do setor. O primeiro é a acessibilidade, ao levar especialistas e recursos para regiões que sofrem com a falta de profissionais; e o segundo são os custos, reduzindo, por exemplo, tempos excessivos de internação ao permitir o acompanhamento remoto das condições de determinados pacientes. Pacientes ficam internados quando já poderiam estar em casa se houvesse meios de contato direto com o hospital. Outra coisa que caminha junto é a predileção do consumidor: ele é mais digital e busca soluções mais convenientes. Buscar saúde no Brasil é muito inconveniente."

Relação com a inovação

"Criamos uma solução que é como um cuidador digital, que vai embora da consulta com o paciente. Hoje são duas versões de produto: uma gratuita, que é basicamente um lembrete de compra e uso do medicamento, e uma premium, que é específica por patologia e que oferece dados para médicos e cuidadores. Enquanto a versão gratuita pode ser baixada nas principais lojas de aplicativos móveis, a premium é oferecida em parceria com laboratórios farmacêuticos, que personalizam a experiência de acordo com patologias determinadas e o ofertam aos médicos. Assim, os médicos podem prescrever o aplicativo CUCO aos pacientes."

Empreendedorismo

"Comecei a empresa como projeto de conclusão de curso na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015. A CUCO ficou operacional em 2016, quando minha família investiu e começamos a trazer mais pessoas. Muita coisa mudou desde então. Moro em SP desde 2016, e estamos no Cubo do Itaú. São 15 pessoas, e a CUCO está em um momento legal de escalar a quantidade de patologias que conseguimos apoiar. Nosso desejo é oferecer uma experiência de cuidado para todas as principais patologias dos brasileiros, mas não temos braço para isso. Nosso modelo é pago pela indústria, nós desenvolvemos e os pacientes recebem o melhor cuidado. Algumas das patologias que o aplicativo CUCO já acompanha incluem artrite reumatoide, depressão e ansiedade, hipotireoidismo, hipertensão e obesidade, e alguns tipos de câncer. Há também doenças raras, em que a tecnologia se mostra eficiente por conta dos custos elevados dos medicamentos."

Casos de sucesso

"Hoje a base gratuita é de 120 mil pessoas em 162 países. E temos uma adesão de 75% dos pacientes que têm medicamentos cadastrados, recebem alertas e avisam no aplicativo que as tomaram. Temos dois cases legais, científicos mesmo, validando a ferramenta. Um deles em parceria com o Hospital do Coração, o HCor de São Paulo. Crianças cardiopatas saíam de lá após fazer cirurgias e perdiam contato com o hospital, e a adesão aos tratamentos era baixa, o que os fazia voltar para novas cirurgias. Depois de 12 meses com usando o aplicativo CUCO, conseguimos aumentar a adesão de 40% para 79%. Esse é um case de 2017 e 2018. Outro desafio foi no Hospital Samaritano, também em São Paulo, com uma população idosa e cardiopata, cujo senso comum acreditava ser uma população resistente. Também em 12 meses, a adesão aumentou em 15%, reduzindo internações."

Jovem, mulher, empreendedora

"Fico muito feliz de poder ser um dos protagonistas da transformação digital da Saúde sendo mulher. Não só pelo lado da tecnologia, mas a saúde também é muito masculina. Ninguém nunca me falou que é impossível fazer alguma coisa, principalmente graças aos exemplos que tinha. Mas, lógico, já enfrentei preconceitos e desafios. Além de ‘aprender fazendo’, tento ler e ouvir outras grandes lideranças para seguir como exemplo. É importante também ter as pessoas certas do meu lado, que possam me ensinar e levar a empresa para frente. Sei que tenho deficiências, decorrentes principalmente da falta de experiência em grandes empresas, e a maior delas é a falta de conhecimento sobre processos. Embora pareçam simples, não é só ler e implementar, tem que viver."

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