Pós-pandemia: a nova era do CDO

Se os negócios são cada vez mais orientados pela jornada de dados, torna-se cada vez mais necessária a presença de um gestor de alto escalão capaz de administrar - e aproveitar - esse grande volume de informação.

A Fonterra é uma cooperativa neozelandesa que se tornou uma multinacional do setor de leite e derivados. E o que esse universo pecuarista tem a ver com jornada de dados? Absolutamente tudo, conforme atesta Leandro Tonon, que atua na sede chilena da empresa e acumula as funções de CIO e CDO nas operações da América Latina. Para Tonon, a transformação digital conduziu os negócios a um universo onde a informação circula em variedade e quantidade nunca vistas - e saber fazer uso dela é uma vantagem competitiva - e muito em breve será questão de sobrevivência.

Tonon tem mais de 20 anos de carreira na área de TI, sempre a serviço de grandes multinacionais. Tendo residido no Brasil, Uruguai e Venezuela, e com atuação em toda a América Latina, testemunhou como insider as grandes transformações no setor e no próprio universo de negócios. Entre elas, viu nascer a figura do chief data officer (CDO), uma posição que praticamente inexistia até 10 anos atrás e hoje se mostra decisiva para o crescimento das grandes empresas.

Em entrevista exclusiva ao blog da Orange Business Services, Tonon fala sobre como a alta gestão de tecnologia precisa assumir seu lado estratégico e assumir a gestão da informação como eixo de seu trabalho.

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Leandro Tonon

Leandro Tonon atua na sede chilena da empresa e acumula as funções de CIO e CDO nas operações da América Latina. Para Tonon, a transformação digital conduziu os negócios a um universo onde a informação circula em variedade e quantidade nunca vistas - e saber fazer uso dela é uma vantagem competitiva - e muito em breve será questão de sobrevivência.

 

Orange Business Services: No começo da década passada, era raro encontrar um CDO nas empresas. Nos últimos cinco anos, essa situação foi mudando. A que você atribui essa mudança?

Leandro Tonon: A responsabilidade do CIO foi se transformando ao longo desse período. Foi quando reforçou-se a percepção de que ele precisa ser parte estratégica no negócio e se voltar mais para soluções business oriented. Porém, no meio desse processo, ele foi deixando de ser o protagonista. Eu diria que essa virada começou quando o everything as a service chegou com força, especialmente à infraestrutura. Isso fez com que a tecnologia se tornasse uma commodity. Porque uma coisa é ter a tecnologia e dados, outra é ter a informação estratégica, que exige um profissional dedicado ao negócio. Então o CDO foi se tornando mais relevante, justamente pelo valor que a informação tem nesse novo mundo digitalizado. Hoje há um enorme volume de dados sendo gerado: redes sociais, IoT, ferramentas de colaboração – tudo isso cria informação, e também a requer. É preciso ter uma arquitetura onde elas sejam cruzadas e estejam estruturadas de forma acessível, confiável e democratizada para toda a empresa. Esse é o papel do CDO.

Orange Business Services: Você faz questão de falar em “informação”, e não apenas em “dados”. Por que essa diferenciação é importante?

Leandro Tonon: Porque a informação é mais que o dado. A informação é temporal, e as empresas que têm o benefício de tê-la de forma mais rápida e confiável sempre estarão adiante dos competidores. Dou um exemplo drástico: qual seria o valor da informação de que terroristas planejavam um ataque às Torres Gêmeas em 10 de setembro de 2001? E qual seria o valor dessa mesma informação no dia 12 de setembro de 2001? A pandemia fez as pessoas entenderem o peso de ter agilidade e inteligência nas informações, e em tê-las de fato, não apenas como um discurso cool, da boca pra fora. Já não dá mais para destinar só 2% do budget para o digital. A informação é a joia da coroa nesse novo cenário, e o CDO é quem tem as condições para obtê-la e trabalhá-la da melhor forma.

Orange Business Services: Sendo assim, quais as habilidades que um profissional deve ter para exercer esse papel?

Leandro Tonon: A primeira é a liderança. É o que vai determinar os caminhos que tudo vai tomar: arquitetura, equipe, tecnologia, demandas, prioridades. Depois dela, são os conhecimentos técnicos, o entendimento da lógica do mundo digital. E o terceiro pilar desse profissional é o conhecimento do negócio. Se você não tem, está perdido, ultrapassado. Você não consegue ser especialista em tudo, claro, mas precisa ter o conhecimento de tudo que envolve o negócio para conectar distintos pontos.

Orange Business Services: Esse movimento no setor é mundial, ou uma tendência exclusiva de países mais tecnologicamente desenvolvidos?

Leandro Tonon: É um movimento mundial. Todos estão valorizando esse profissional. Claro que alguns países estão mais avançados e sentem uma necessidade mais forte dessa presença. Na América Latina, vejo que cada região tem uma velocidade diferente nessa transformação digital, e acho isso natural, pois alguns países são mais avançados, outros menos, e as culturas são distintas. Assim, uma disparidade é esperada. Mas acredito que todos os segmentos de negócios já se deram conta de que a informação, e consequentemente o CDO, têm um papel crucial nas organizações.

Orange Business Services: A existência de um CDO implica necessariamente na presença de um DPO (data protection officer)?

Leandro Tonon: Sim, essas funções têm que ser separadas. O momento é de evolução, o crescimento foi e continuará sendo exponencial, e a proteção à informação precisa de uma gestão dedicada. Antes tudo isso era responsabilidade do CIO: sistemas, cybersecurity, infraestrutura, tudo! Mas a tendência para o momento e para o futuro é segmentar as atuações, porque, como eu disse, o volume é muito grande.

Orange Business Services: Diante da promessa de uma entrega tão relevante e estratégica, é imprescindível que o CDO faça parte do board?

Leandro Tonon: Com certeza. É uma função extremamente relevante, e tem que estar alinhada com a direção da companhia. Empresas que são muito tradicionais, presas a muitos paradigmas, sempre vão oferecer resistência a mudanças, mas a partir do momento que entendem quais os benefícios que a jornada de dados pode gerar para a empresa, não têm como não mudar. Mesmo nessas empresas, basta um sponsor no board e essa visão já muda rapidamente.

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