Colaboração: como amenizar a solidão no trabalho remoto

O trabalho remoto era uma raridade no começo dos anos 2000. Com a evolução tecnológica, que estimula novas dinâmicas na vida profissional e pessoal, a modalidade passou a integrar a cultura organizacional de diversas empresas como uma forma de retenção de talentos, incentivo à colaboração e à agilidade das atividades remotas, além da redução de custos com infraestrutura.

Como resultado, houve um crescimento expressivo na prática do home office: mais de metade dos executivos trabalharam remotamente mais de dois dias por semana em todo o mundo em 2019, segundo estudo do International Workplace Group (IWG) com 15 mil profissionais de 80 países. No entanto, todo o afã por uma solução acaba trazendo algumas consequências. Com o passar do tempo, algumas grandes empresas começam a voltar atrás na estratégia sob uma simples, porém forte, alegação: a saúde mental de seus colaboradores, que devido à distância, se sentem isolados e desengajados.

Na minha visão, o trabalho remoto e as soluções de colaboração possuem dois lados. As ferramentas de colaboração dão muita liberdade, são ágeis, mas é preciso ponderar. O contato é importante: almoçar com os colegas, entender determinadas situações de trabalho no cafezinho coletivo, fazer aquela festinha de fim de ano. Por outro lado, se a redução do contato presencial entre colegas pode gerar angústia, a economia de tempo em deslocamentos, que é um dilema crucial nas grandes cidades, permite mais tempo para dedicação à vida pessoal, trazendo um equilíbrio.

A Orange, por exemplo, adota o home office desde 2007. O modelo inclui uma política clara para os aderentes, um guia escrito e treinamentos desenvolvidos com base em estudos e pesquisas. O sucesso da iniciativa é medido em números: em 12 anos, apenas um funcionário não se adaptou a trabalhar fora do escritório.

Hoje, a migração de um colaborador para o teletrabalho acontece de modo natural, sem necessidade de treinamentos intensos. A empresa acompanha o processo e auxilia tanto na construção de um ambiente que favoreça o trabalho remoto como no fornecimento de ferramentas fundamentais para a comunicação entre equipes e a execução de tarefas. O colaborador ainda é incentivado a fazer inúmeras atividades durante o horário que antes era utilizado para o deslocamento casa-escritório, entre elas musculação, pilates e yoga, além de treinamentos com foco em qualidade de vida, como meditação, mindset para o sucesso, gestão de times e apresentação.

As tecnologias digitais e o trabalho remoto exigem não só novas políticas, mas também mudanças nos departamentos de recursos humanos, com atuação mais humanizada e centrada no colaborador.

O cuidado com a saúde mental dos colaboradores é um assunto mais complexo, afinal o departamento de RH não é formado por psiquiatras e psicólogos capazes de fazer diagnósticos. No entanto, quando os gestores se mantêm abertos para relatos de dificuldade por parte dos colaboradores, é possível identificar alguns sinais, além de contar com uma estratégia clara para encaminhamento desses funcionários a profissionais qualificados.

Um benefício chamado de employee solution, por exemplo, surge nessa esteira: colaborador e família podem, por exemplo, ter acesso a um grupo de especialistas por meio de um número telefônico gratuito, pelo qual podem compartilhar, de forma confidencial, seus problemas e angústias.

Mais do que nunca, o home office continua oferecendo inúmeras vantagens para empresas, desde que elas permaneçam atentas à qualidade de vida e à saúde de seus colaboradores, mantendo-os engajados e motivados para as atividades mesmo à distância.

George Paiva
George Paiva

George Paiva é gerente de Recursos Humanos para América Latina na Orange Business Services.